Um dia para que os outros 364 não sejam esquecidos

Por Vivi Reis

21 de março – O Dia internacional da SD (Síndrome de Down) ou T21 (Trissomia do 21) se aproxima e muitos perguntam:

Mas para que isso?

Não estamos aumentando o preconceito criando um dia comemorativo para Pessoas com SD?

Pois é, eu já me fiz estas mesmas perguntas anos atrás, pois não entendia o significado desta comemoração.

Como não sou de questionar apenas, fui atrás para entender melhor.

Vamos entender juntos?

Em 2011, a Down Syndrome International pediu ao Brasil para propor que a data se tornasse parte do calendário das Nações Unidas e a Assembléia Geral das Nações Unidas votou, recomendando que a data seja observada pelos 193 países pertencentes a ONU. A Convenção é clara em seus princípios de garantir a plena e efetiva participação e inclusão na sociedade.

O tema deste ano é: NINGUÉM FICA PARA TRÁS

A Síndrome de Down não é uma doença e sim uma ocorrência genética que pode acontecer com qualquer pessoa, independente da etnia, condição social ou crença.

E por que, afinal, 21 de março?

As pessoas com SD ao invés de 2 cromossomos, possuem 3 cromossomos, apenas no par 21, daí a data 21/03.

Dar luz e visibilidade ás pessoas com Síndrome de Down é importante, porque, infelizmente ainda existem muitas pessoas na sociedade que discriminam e pensam que elas sejam menos capazes do que pessoas que não tem SD.

Hoje, as pessoas com SD estão ocupando seu lugar em todos os espaços: seja na escola, no mercado de trabalho, no lazer, cultura, porque simplesmente estão tendo oportunidade para que isso aconteça.

E então entendemos que, pessoas com SD são capazes de construir um caminho de aprendizagem e convivência, desde que as pessoas envolvidas em seu desenvolvimento acreditem que ela seja capaz.

Ah…tá bom…

Então, Vivi, você está me dizendo que pessoas com SD irão executar tudo igualzinho a uma pessoa que não tenha SD?

Bom, eu não acho que todos devemos ser iguais, mesmo porque ninguém é igual a ninguém, o que estou dizendo é que não sabemos o potencial de cada ser humano, até que lhe seja dada a oportunidade de se manifestar, de mostrar do que ele é capaz: nas suas habilidades, capacidades, aptidões, e então aí, somente aí somos todos iguais – no direito às oportunidades.

Todas as pessoas tem habilidades para serem exploradas, e todas merecem contribuir para a construção de um mundo produtivo, melhor e espaços para todos.

A pessoa com SD não quer ser vista como heroína, nem coitadinha, assistam vídeos e artigos de auto-defensores como Tathiana Piancastelli, Fernanda Honorato, Samuel Sestaro, Paula Werneck, Bruno Viola, Samantha Quadrado, entre tantos outros.

O que as pessoas com SD buscam é o respeito e a oportunidade de viver como ela bem entender.

Então, respondendo a pergunta inicial.

Sim, ainda é necessário que haja um dia para comemorar 300mil pessoas no Brasil e mais 6 milhões no mundo, de uma população ignorada e invisível por tanto tempo.

Admitir que todos nós temos algum tipo de preconceito, é o 1o. passo para uma mudança real e definitiva, pois nos abriremos a olhar para o outro com o olhar dele, e não com o nosso, é muito mais fácil incluir quando conhecemos, iremos perceber que temos tanto em comum, diante de toda a diversidade humana.
A idéia é que este dia não precise mais existir…

E então saberemos, que a inclusão é uma realidade de infinitas possibilidades, pois toda pessoa tem o seu algo a acrescentar no mundo.

Texto: Vivi Reis – fundadora do Projeto InclusivaMente
Realização: AcolheDown