Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Olá!

Nós somos Carolina e Leonardo. Somos pais da Helena.

E ela é autista.

Não foi fácil ouvir isso a primeira vez. Porque a gente nunca sabe o que nos espera. E a gente sabe que a responsabilidade de criar um filho é enorme. Imagine criar um que vai depender ainda mais de você.

Isso assusta um pouquinho. Mas o dia a dia é muito gratificante.

A percepção

Tudo começou quando a Helena tinha quase 2 anos. Na verdade um pouco antes, pois ela já não atendia pelo nome, falava muito poucas palavras e não se socializava com pessoas que ela não conhecia.

Tínhamos acabado de colocar ela na escola e percebemos que ela era diferente do restante das crianças. Não falava quase nada e era mais retraída perto das outras crianças. Além disso, na hora do recreio, ela pegava o lanchinho dela e sentava em um bebê conforto que tinha na escola longe das outras crianças.

Falamos com o pediatra que entendeu nossas dúvidas e encaminhou para uma Neurologista para fazer um diagnóstico mais certo.

O diagnóstico

A neuro explicou que a Helena tinha sim alguns traços de autismo mas isso não significava que realmente era. Que seriam necessárias avaliações de outros profissionais como um oftalmologista e um otorrinolaringologista para descartar problemas de visão e audição.

Além dessas consultas, precisou também fazer uma tomografia (sedada – mas é fumacinha pais, os riscos são muito pequenos), exame de sangue e o exame BERA para a audição. Uma verdadeira maratona.

Levando todos os exames, a Neuro confirmou o diagnóstico.

Foi um choque, por mais que já esperávamos.

E agora, como vai ser?!

A gente já tem um casal de amigos que tem um filho com autismo. E ele é incrível. Mas como seria a responsabilidade na nossa mão?

E quando crescer, será que vai conseguir seguir a vida sozinha?

Os amiguinhos vão aceitá-la?

Como será o preconceito? O tratamento? Ela vai precisar de um monte de medicamento?

Assusta. Assusta muito.

Se já estava difícil criar uma criança, imagine agora uma que vai precisar ainda mais de você. Será que você tem competência o suficiente pra isso? E isso meio que te enlouquece no começo.

Mas calma. O bicho é muito menor do que parece. Pelo menos no nosso caso.

E a aceitação é a melhor saída sempre. Depois viemos descobrir diversos casos em que os pais não aceitavam e começavam o tratamento tardiamente, aos 8 anos por exemplo, tornando o tratamento ainda mais difícil.

Voltando a Neuro, ela encaminhou a Helena para 3 outros médicos para consultas semanais:

  • Terapeuta Ocupacional – para tratar de comportamento e coordenação motora;
  • Fonoaudióloga – para desenvolver a fala e a dicção e
  • Psicóloga – para cuidar da socialização e comportamento.

Foi incrível ver a evolução dela após cada consulta. Como é importante cada área trabalhar uma parte do seu desenvolvimento.

É difícil, cansativo. Mas cada melhora é uma alegria que a gente não consegue explicar.

A integração na Escola

Todas as professoras e profissionais da escola a receberam com ainda mais carinho e atenção que já tinham, criando formas de integrá-la às atividades.

Os amiguinhos abraçaram a causa da Helena, defendendo e respondendo por ela. É engraçado que fazem isso até hoje, mesmo a Helena já falando.

Os pais dos amiguinhos dela ajudaram muito também explicando para seus filhos que a Helena ainda não falava, mas que ela ia falar, que ela ia gostar de brincar com todo mundo, mas ela teria um tempo diferente que do resto das crianças.

Hoje ela participa de todas as atividades, faz lição de casa, futebol, bagunça e até fala demais. Tem dias que é difícil até pra ir embora da escola.

Os estímulos

Desde o início, escutamos muito dos médicos de todas as áreas que quanto mais estimulássemos os sentidos da Helena, mais fácil seria o desenvolvimento dela.

Muitas vezes é um grande desafio pra gente levar em um cinema, um teatro (peças infantis, né?!), circo, locais com muito barulho e muita gente, mas ela tem se saído super bem em todas elas.

Além disso, como toda criança, ela adora mexer no celular. Isso tem ajudado na coordenação motora fina dela – área que ainda tem um pouco de dificuldade.

Pelos vídeos no celular ela acaba assistindo a vídeos de desenhos musicais em outras línguas e, vira e mexe, vemos ela cantando essas músicas em italiano, espanhol, inglês e até em russo. Não que ela entenda o que esteja cantando, mas é realmente engraçado isso.

Conscientização

O autismo tem tratamento mas não tem cura. O tratamento faz muito bem para o desenvolvimento da criança.

Acredito que um dos primeiros passos é conscientizar os pais que procurem um especialista para fazer o diagnóstico à percepção dos menores sintomas. Não negue. No futuro, você vai se agradecer.

Para a sociedade, só posso dizer uma coisa: eles são incríveis. Amorosos, inteligentes, divertidos. Assim como qualquer outra criança. Sim, eles são diferentes. Têm algumas necessidades especiais. Talvez a maior delas seja a paciência. A paciência de entender que é no tempo e do jeito deles.